Por que eu trabalho com cannabis medicinal?

Olá pessoal, espero encontrá-los bem! Inicio aqui uma forma diferente de compartilhar meus pensamentos e, sobretudo, a forma como trabalho. Coincidentemente essa semana fui questionada com uma boa pergunta para começarmos pelo começo: o porquê de trabalhar com cannabis medicinal.

A pergunta veio numa entrevista ao programa Fala Cidade, da Rádio Cidade em Dia, de Criciúma SC, no qual responder ao vivo me levou de volta a uma inquietação antiga, de quando eu ainda estava na faculdade. O trecho está no vídeo abaixo, e aqui eu conto com um pouco mais de calma.

Uma inquietação que começou na faculdade

Na graduação, a gente aprende a saúde por partes: cardiologia, neurologia, pneumologia. Faz sentido para organizar o estudo, mas eu sentia falta de olhar a pessoa inteira. Durante boa parte do curso, pensei em fazer medicina de família justamente por isso, uma vez que é uma das áreas que mais se aproxima desse cuidado integral e multidisciplinar.

Melhorar um sintoma sem piorar outro

Com o tempo, uma situação passou a me incomodar de verdade: tratamentos que melhoravam uma parte e pioravam outra. Pessoas com ansiedade que melhoravam, mas passavam a conviver com efeitos colaterais, que muitas vezes somatizavam ainda mais ao quadro, ou distanciava a pessoa dela mesma. Pacientes com fibromialgia que tomavam vários remédios e, ainda assim, não se sentiam bem no dia a dia. Atendendo e lidando com diferentes histórias, que são marcadas por efeitos que pioram a qualidade de vida e fazem o sintoma entrar num efeito de “bola de neve”, já ouvi pacientes descreverem enormes desconfortos que sentiam para tolerar tratamentos tradicionais.

Eu não queria me acostumar com isso. Essa pergunta ficou comigo e ainda guia o meu trabalho: o que este tratamento faz pela pessoa como um todo, e não só pelo sintoma que a trouxe até a consulta?

Onde encontrei mais sentido

Eu sempre me interessei por outras formas de cuidar, como a acupuntura, a aromaterapia e a musicoterapia, e foi nesse caminho que cheguei ao estudo dos canabinoides. Em 2022, ainda na faculdade, a Unifesp abriu um curso de extensão em uso terapêutico da Cannabis sativa L. Como esse tema não seria aprofundado na graduação, decidi estudar por conta própria. Foi ali que encontrei um pouco mais do sentido que eu procurava.

Hoje, a cannabis é uma das ferramentas que eu uso, e não o ponto de partida. Ela entra quando a história clínica, os tratamentos em uso e os objetivos da pessoa indicam que faz sentido.

Por que este blog

Na consulta, eu começo pela escuta: a queixa principal, mas também o sono, a rotina, os remédios e o que já foi tentado. As decisões são tomadas em conjunto. Este blog nasce com a mesma intenção: ser um espaço para dividir o que eu estudo e o que a prática me ensina, com cuidado e com base em evidência.

Obrigada por estar aqui desde o primeiro texto🥰🥰



Dra. Liz Netto · Médica · CRM/SC 40918
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Conteúdo educativo. Não substitui uma avaliação médica individual.


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Respostas

  1. Avatar de noisilyjellyfish9efa3b27e3

    Muito bom! Já me inscrevi na newsletter para acompanhar!

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  2. Avatar de Jonathan

    Muito bom! Já me inscrevi na newsletter para acompanhar!

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  3. Avatar de Sofi

    Conteúdo maravilhoso! Assim como a Dra que o escreveu! 👏🏻

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  4. Avatar de Lédio

    É a partir dessas ações de coragem de usar métodos alternativos, (ainda considerados desconfortáveis, mas legal), que vamos ver muitas pessoas com excelentes resultados de melhoras significativas. Parabéns pela sua coragem. Total apoio. 😘

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